A Revista Ecumênica da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo
Ecumenismo, Espiritualidade e Evangelho-Apocalipse

banner-compra-revista

Sexualidade: A hora de conversar com os filhos

Atualizado em 12/12/2017

Das perguntas encaminhadas pelo e-mail jesusestachegando@boavontade.com, muitas demonstram a preocupação com relação ao tema sexualidade. Embasada na Pedagogia do Afeto — proposta inovadora do educador Paiva Netto, aplicada com sucesso na rede de ensino e nos programas socioeducacionais da Legião da Boa Vontade, com o objetivo de formar Cérebro e Coração —, a educadora Suelí Periotto*¹ traz considerações sobre essa temática que ainda gera muitas dúvidas aos pais: o melhor momento para falar sobre sexualidade com os filhos.

 

Suelí Periotto

Suelí Periotto

Revista JESUS ESTÁ CHEGANDO! — A partir de que idade é importante falar sobre sexualidade com a criança?

Suelí Periotto — Não existe uma idade-padrão para falar sobre o assunto. A curiosidade da criança surge mediante as informações que recebe, nos locais onde se socializa. Contudo, os pais devem ficar atentos para responder a todas as indagações infantis surgidas de influências exteriores ao ambiente do lar.

Antes de tudo, é importante que haja base familiar bem fundamentada, na qual o relacionamento entre pais e filhos proporcione liberdade para tratar qualquer tema, inclusive sobre sexo. Diante de situações cotidianas, é imprescindível não fugir dos assuntos. Uma relação de confiança, respeito e cumplicidade deve ser objetivo dos pais durante a vida dos filhos, que devem se acostumar a ter os genitores como referência para esclarecer quaisquer dúvidas.

 

Pergunta — Há uma maneira mais adequada de responder essas questões às crianças?

Resposta — As respostas devem seguir dois parâmetros:

Clareza: suprir a curiosidade em relação ao tema;

Objetividade: explicar o suficiente para o entendimento da faixa etária do filho.

Vale lembrar que não há necessidade de se aprofundar nas respostas aos questionamentos, uma vez que as crianças ainda não têm maturidade suficiente para absorver todas as explicações.

 

Pergunta — Existem abordagens diferentes para o menino e para a menina?

Resposta — Não há. Por ainda representar um assunto tabu para muitos pais, sempre houve certa barreira, impedindo que a sexualidade fosse tratada com naturalidade nas conversas em família. Muitos pais aguardavam que os filhos completassem determinada idade para que, com todo o cuidado e às vezes muito rodeio, iniciassem um diálogo que geralmente acabava não sendo aberto e franco.

Atualmente, porém, a realidade é um pouco diferente. O tema surge entre as crianças por diferentes estímulos: aparece na escola ou nas ruas do bairro, em conversas com colegas, conhecidos e vizinhos; pela internet, em sites ou salas de bate-papo; ou ainda em decorrência de programações veiculadas na mídia.

Cabe aos responsáveis ter muita atenção aos componentes do círculo de convivência infantil (física e virtual) e ao que os pequenos assistem na televisão. Necessário se faz estabelecer limites aos filhos, já que muitas abordagens geralmente não propiciam bases seguras que verdadeiramente instruam a infância sobre a educação sexual adequada. Muitas vezes, pelo contrário, promovem instrução equivocada, e daí surge a terrível banalização do sexo, compreendido apenas como “simples ato da mecânica sexual”, desvinculado do indispensável sentimento de Amor, em sua vertente mais elevada, como nos revela o educador Paiva Netto. Aliás, em seu ensaio literário Evangelho do Sexo (Editora Elevação), a partir da p. 21, o autor elucida:

“O Amor não constitui expressão torpe do desejo. Situa-se muito além, acima dos equívocos terrenos, ao mesmo tempo que habita o ser humano, mantendo-o moralmente vivo. Como fator irremovível do Ser, é gerador de Vida. Estando em toda a parte, é tudo. Logo, quem não ama não pode considerar-se civilizado se despreza a Lei da Solidariedade Humana e Social Daquele que é o poder dirigente máximo do planeta: ‘Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos’ (Evangelho do Cristo segundo João, 13:34 e 35). (…)”.

 

E continua o dirigente da LBV:

 

“A natureza do Sexo

“Para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir, o que pouco tem a ver com sexo em si mesmo é a chamada ‘transa sexual’, exercida geralmente sem nenhum cuidado, suscitando a gravidez precoce, até em pré-adolescentes, sem amadurecimento para tamanha responsabilidade (…). Sexo é, acima de tudo, Amor. E, quando é banhado por ele, torna-se maravilhoso. Sua duração é superior à das Rosas de Malherbe*². Clemente de Alexandria (aprox. 150-215), no seu Pedagogo, adverte: ‘Não devemos ter vergonha de falar daquilo que Deus não se envergonhou de criar’. Mas agora, no momento em que tanto se discute o sexo, gente que curiosamente se considera liberta só pensa em cama (risos). Entretanto, quando Da Vinci (1452-1519) retrata a enigmática La Gioconda, ocorre um ato sexual da sua arte; o que igualmente se dá quando Michelângelo (1475-1564) pinta o teto da Capela Sistina ou esculpe as inigualáveis estátuas de Davi e de Moisés (‘Parla!’*³). A descoberta da penicilina, por Flemming (1881-1955), outro ato sexual (no caso, da Ciência). Sexo é essencialmente criação e a Maternidade, a sua sublimação (…). A natureza do Sexo é criar. Neste sentido não há Ser mais sexual que Deus”.

 

A sugestão, portanto, aos pais e professores, para a abordagem dessa e de outras temáticas que se apresentem, é não perder de vista que a intuição é uma grande aliada no cuidado de nossos filhos e educandos. Conduzir os assuntos à luz da Espiritualidade Ecumênica é decisão acertada na vida de todos nós, Espíritos eternos em constante processo de evolução e aprendizado.

 

*¹ Suelí Periotto é doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), supervisora da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, diretora do Instituto de Educação José de Paiva Netto, na capital paulista, e apresenta o programa Educação em Debate, da Super Rede Boa Vontade de Rádio.

Rosas de Malherbe — Verso do poeta francês François de Malherbe (1555-1628): “E rosa, ela viveu o que vivem as rosas”, o que significa uma vida efêmera.

Parla! — Significa “Fala!”.

 

(Artigo publicado na revista JESUS ESTÁ CHEGANDO!, edição 105, de julho de 2009, pp. 36 e 37.)