A Revista Ecumênica da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo
Ecumenismo, Espiritualidade e Evangelho-Apocalipse

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Espiritualidade, saúde e ciência

Por iniciativa pioneira do Irmão Presidente Paiva Netto, há décadas, as Instituições da Boa Vontade convidam a sociedade a debater o tema, promovendo o Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV.

 

Da Redação — atualizado em 18/10/2017

 

O Divino Método do Cientista Celeste

Os palestrantes do painel temático do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV. A partir da esquerda: Dr. André Stroppa; Monge Shôjo Sato; Mãe Adna Santos; Josué Bertolin (mediador), da LBV; dr. Carlos Eduardo Tosta; e dr. Julio Peres. (foto André Fernandes)

Os palestrantes do painel temático do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV. A partir da esquerda: Dr. André Stroppa; Monge Shôjo Sato; Mãe Adna Santos; Josué Bertolin (mediador), da LBV; dr. Carlos Eduardo Tosta; e dr. Julio Peres. (foto André Fernandes)

Explica a Religião do Terceiro Milênio que, além do sentido literal, a Volta de Jesus também significa a iluminação das áreas do saber humano com as importantes lições de Seu Evangelho-Apocalipse. Reverenciá-Lo como o Cientista Divino pode causar espanto a quem estuda Seus ensinamentos sem buscar neles a razão que enriquece e o sentimento que sublima. Vejamos, por exemplo, o que almeja a Medicina. Hipócrates (460-370 a.C.), considerado o pai dessa ciência, no seu famoso juramento, afirma: “Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade (…). Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início (…)”*. Encontra-se nas narrativas dos Evangelistas e também em pesquisas de sérios historiadores que Jesus curou pessoas cegas, fez paralíticos andar, cessou a hemorragia de uma mulher e, a distância, restabeleceu a saúde do filho de um soldado. Entre muitas outras inimagináveis curas, de uma só vez expulsou a lepra do corpo de dez homens.

O Presidente-Pregador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, José de Paiva Netto, há décadas sugere a convergência do assunto: “Milagres existem. Só que não são milagres, isto é, não são fatos que derroguem as leis naturais, mas, sim, acontecimentos que amanhã terão sua explicação científica, sem que seja negada a existência do Divino Poder (…).

Entender racionalmente os fenômenos naturais estudando as ações e reações dos elementos que compõem a matéria é uma definição clássica da Física oriunda da Grécia antiga. Sua finalidade seria entender a mecânica de todas as coisas para prover a raça humana em suas necessidades.

O Cristo de Deus transformou um punhado de pães e peixes em uma quantidade tamanha que saciou a fome de mais de 5 mil famílias. Andou sobre o mar desafiando os princípios da gravidade. Interrompeu uma tempestade. Dado como morto, desprezou o túmulo e continuou a apresentar-se, aos olhos de todos, por quarenta dias.

O evento lotou dois auditórios do ParlaMundi (Plenário José de Paiva Netto e auditório Austregésilo de Athayde). Na foto, vemos o público atento às palestras no Plenário José de Paiva Netto. (foto Gustavo Henrique Lima)

O evento lotou dois auditórios do ParlaMundi (Plenário José de Paiva Netto e auditório Austregésilo de Athayde). Na foto, vemos o público atento às palestras no Plenário José de Paiva Netto. (foto Gustavo Henrique Lima)

Poderíamos também abordar o Político Celeste, o Filósofo Universal ou o Educador Infalível, o qual, para todos os segmentos do saber, deixou um Divino Método que os unifica na origem cósmica e, ao mesmo tempo, potencializa as qualidades eternas aqueles que o vivenciam. Sintetizado em Seu Evangelho, segundo João, capítulo 13, versículos 34 e 35, o Cientista das Almas legou-nos o Amor Fraterno: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros”.

Para o estudo aprofundado desse amplíssimo conceito, o Irmão Paiva criou, no ano 2000, o Fórum Mundial Espírito e Ciência, estabelecendo mesa internacional de debates: “Singela contribuição da LBV ao grande abraço que a Humanidade, esperançosa, aguarda ver definitivamente consumar-se entre a Intuição e o Pensamento Racional, desenrola-se dentro deste juízo: o que a Religião intui, a Ciência um dia comprovará em laboratório. Ciência sem Religião pode tornar-se secura de Alma; Religião sem Ciência pode descambar para o fanatismo. Por isso, no dia ideal que todos desejamos ver surgir no horizonte da História, a Ciência (Cérebro), iluminada pelo Amor (Religião, Coração Fraterno), elevará o ser humano à conquista da Verdade”, destaca.

Em Seu colóquio com a Mulher Samaritana (Evangelho, segundo João, 6:36) asseverou o Divino Mestre: “Mas a hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e Verdade (…). Deus é Espírito e importa que os Seus adoradores O adorem em Espírito e em Verdade”. Mas não imaginemos o Pai Celestial como um ancião sentado em um trono portando um cajado mágico, justiceiro, vingativo, restrito a um grupo de seguidores a enfrentar um ser de cauda, dono de um tridente, responsável por todo o sofrimento na Terra. “Um dos maiores estorvos para o grande amplexo entre Religião e Ciência, que são irmãs, é a continuação, no palco do saber, do deus antropomórfico, caricato, que não prejudica somente o laboratório, como também o altar”, defende o Irmão Paiva.

Deus está presente no sopro energético que sustenta o átomo e no ardor da Fé que move o sacerdote. Sua obra é o Universo infinito. O desafio é entendê-Lo sem limitá-Lo.

Aos doze dias de agosto de 2015, mais uma bela página em favor da evolução desses temas foi escrita. Em uma iniciativa do Irmão Paiva, o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (ParlaMundi da LBV), em Brasília/DF, recebeu representantes das áreas científica e religiosa para um grande debate. O público compareceu em peso, superlotando o auditório Austregésilo de Athayde e o plenário José de Paiva Netto. A seguir, extratos das palestras ocorridas no inesquecível dia.

 

Hora da busca pela qualidade

Dr. André Stroppa

Dr. André Stroppa

Psiquiatra, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde é doutorando do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes), o dr. André Stroppa tratou do tema “Saúde e Espiritualidade: quanto mais conhecemos, mais precisamos conhecer”. Ele iniciou sua palestra destacando que, historicamente, religiosidade e saúde sempre andaram juntas: “Nas civilizações antigas (Egito, Grécia, civilizações pré-colombianas e as grandes tradições africanas) a relação entre religiosidade e saúde é tão significativa que, na maioria das vezes, era uma só pessoa que fazia as duas coisas”. E afirmou que, após um período de afastamento, ocorreu um importante reencontro: “No final do século 20 e início do século 21, a absoluta maioria dos estudos publicados vai indicar uma forte relação positiva entre religiosidade, espiritualidade e saúde”.

Na sequência, apresentou pesquisas científicas que demonstram a melhora de pacientes que buscaram apoio nos valores da Espiritualidade. Para ilustrar, cita o livro Handbook of Religion and Health, no qual os autores Harold G. Koenig, Dana E. King e Verna Benner Carson conseguiram reunir, em duas edições, 4.200 estudos que comprovam o restabelecimento de pessoas a partir do momento em que passaram a vivenciar os valores do Espírito.

Na conclusão, dr. Stroppa trouxe sua visão sobre os desafios a serem vencidos: “Existem muitos estudos quantitativos, estatísticos, que demonstram que a espiritualidade se estabelece e é positiva para a saúde. Mas precisamos de estudos qualitativos para saber de que forma ela se estabelece e como podemos construir estratégias em benefício das pessoas. Outro desafio é a inclusão da espiritualidade no ensino e na prática clínica dos profissionais de saúde”.

 

Intercâmbio espiritual

Mãe Adna Santos de Araújo

Mãe Adna Santos de Araújo

Para abordar “Saúde e Espiritualidade na perspectiva das tradições afrodescendentes”, o ParlaMundi da LBV recebeu a entusiasmada Adna Santos de Araújo, carinhosamente chamada de Mãe Baiana, Presidente da Ilê Axé Oyá Bagan e coordenadora da região do Distrito Federal da Rede de Saúde Afrodescendente (Renafro).

O Coral Ecumênico Infantojuvenil Boa Vontade, formado por crianças atendidas nas unidades socioeducacionais da LBV, abriu o evento com a canção SOS Terra, letra e música de Nilton Duarte (Salve o Planeta/ Você que tem poder/ Salvemos a Mãe Terra/ Não há tempo a perder). Mãe Adna não conseguia esconder a felicidade. Suas palavras iniciais contagiaram a todos: “Quero agradecer àquelas crianças que falaram muito por meio do seu cântico. Quando saudaram a Mãe Terra, senti uma emoção muito grande, porque dentro da nossa religiosidade não fazemos absolutamente nada sem saudarmos os nossos ancestrais, sem saudar a nossa força, a nossa energia, que é terra, água, ar e fogo”.

Ao abordar as atividades de cunho espiritual que realiza para ajudar pessoas, deixou claro o relacionamento com a Ciência: “Não quero dizer aqui que nós fazemos papel de médico, de forma nenhuma. Mas, sim, trabalhamos juntos. Quando chega uma pessoa no nosso Barracão de Santo, nosso Terreiro, e nos fala que está com qualquer problema, a primeira coisa que a gente faz é perguntar: ‘Você foi ao médico? Você já se consultou? O seu médico lhe disse o quê?’ (…) Então a gente começa a agir”.

Ao final, destacou a ação ecumênica do evento: “Nenhuma Religião é melhor que a outra, nunca foi e nem será. Cada uma com seu espaço. O que temos que fazer é o que está ocorrendo aqui, agora: um intercâmbio espiritual. Temos que unir as pessoas e as nações. Olhar um para o outro e dizer ‘eu sou igual a você, e você é igual a mim’. Pegar na mão do outro e dizer: ‘Estamos juntos!’”.

 

A Espiritualidade na superação de traumas

Dr. Julio Peres

Dr. Julio Peres

O psicólogo e doutor em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP) Julio Peres tratou do tema “Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia”. Começou apresentando um vídeo de pessoas que superaram seus problemas de saúde usando, como apoio no tratamento, a religiosidade.

Embasou suas palavras em diversos artigos científicos, a exemplo de “Deve a psicoterapia considerar a reencarnação?”, publicado no centenário científico Journal of Nervous and Mental Disease. Também citou o recente trabalho que conduziu com policiais militares de São Paulo, no qual conseguiu provar, por meio de moderna ressonância magnética funcional (neuroimagem), que experiências traumáticas podem ser revertidas com a psicoterapia. O estudo foi elogiado por pesquisadores de diversos países.

Explicou de que forma, clinicamente, a Fé pode prevenir o trauma: “A espiritualidade constitui uma parte importante dos valores utilizados pelas pessoas. Fornece ordem e compreensão de eventos dolorosos, caóticos, imprevisíveis, que são os traumas. Portanto, se o indivíduo tem um jeito espiritual de enxergar o mundo, tem um Deus provedor que a tudo assiste, ele pode encontrar mais facilmente um significado para o que está acontecendo, um sentido maior para aquele evento traumático. As pessoas que têm traços de solidariedade, gratidão, interesse e amor, o que chamamos de fatores de ajustamento, são mais resilientes, ou seja, têm maior capacidade de atravessar uma situação difícil, dolorosa, e voltar à qualidade satisfatória de vida, muitas vezes superior à que elas tinham antes do evento estressor acontecer. É um despertar”.

Citou estudos de neuroimagens que comprovam que o cérebro funciona melhor fazendo o Bem: “A atitude da caridade mostra que as regiões mesolímbicas associadas ao bem-estar do  indivíduo são mais ativadas durante atos de caridade que em atos egocêntricos. Interessante, não é? Em outras palavras, as pessoas que fazem o Bem, sentem-se bem”.

No término, ao falar sobre reencarnação, apresentou pesquisas que apontam o grande percentual de pessoas que, em todo o mundo, acreditam nas vidas sucessivas e que, em virtude desse índice demográfico, os estudos não podem parar.

Em primeira mão, trouxe resultados inéditos de pesquisas neurocientíficas realizadas nas Universidades da Pensilvânia (EUA) e de Aachen (Alemanha), nas quais, por meio de modernos equipamentos, se averiguou que, durante os trabalhos de incorporação mediúnica, a área em uso do cérebro do sensitivo tem menor atividade em comparação a quando ele está escrevendo ou pintando sem a influência espiritual. Esse fato sugeriria uma autoria espiritual para as obras produzidas, dado o grau de complexidade e a baixa atuação das funções cerebrais do médium, enquanto em transe.

 

De ateu a religioso: uma revelação do Monge Shôjo Sato

Monge Shôjo Sato

Monge Shôjo Sato

O coordenador do Templo Budista Terra Pura de Brasília emocionou a todos durante o Fórum. Monge desde 1998, Shôjo Sato recolheu pontos de todos os palestrantes e destacou a importância deles para a evolução dos seres. Em um gesto de carinho, disse que todos eles “poderiam ser monges budistas”.

Traçando um paralelo entre Ciência e Religião, deteve-se em um ponto que o dr. Julio Peres acabara de abordar: “Despertar! O despertar também é uma linguagem budista. Despertar do trauma, pela meditação budista, também é [modo de melhorar-se] muito conhecido e até recomendado pelos médicos, psicólogos e psiquiatras. A meditação budista não é apenas uma técnica de concentração. Também é despertar as nossas virtudes a partir do trauma, do sofrimento”.

Falando da influência mística e ecumênica que o Templo da Boa Vontade exerce naqueles que o visitam, fez uma surpreendente revelação: “Queria agradecer, antes de mais nada, ao jornalista Paiva Netto. (…) Minha ligação com o TBV é antiga, antes mesmo de me tornar monge. Talvez a responsabilidade [de minha conversão] seja da LBV. Ficava andando na Espiral e chegava embaixo do Cristal para receber a luz que passava por ele. E isso contribuiu muito para me ligar à espiritualidade. Na época eu era ateu”.

 

Dr. Carlos Eduardo Tosta

Dr. Carlos Eduardo Tosta

Amor: a Metenergia que cura

Com o tema “O poder curativo do amor — evidências científicas”, o dr. Carlos Eduardo Tosta, imunologista e professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), iniciou sua prédica destacando a união de conceitos: “O professor tem obrigação de divulgar aqueles dados que a ciência reconhece como verdadeiros. Já o médico tem a obrigação de procurar os métodos mais eficazes para cuidar de seus pacientes. Estou convencido de que o Amor é a força mais poderosa em relação à saúde. Então, por uma obrigação, por uma honestidade profissional, tenho que usar essa força, que é o poder do amor na cura”.

Antigo pesquisador do ramo da Imunologia que estuda a influência das emoções no organismo humano, dr. Tosta brindou a plateia com uma novidade científica: “Estou lançando, em primeira mão, a Teoria das Redes Metenergéticas, na qual tenho trabalhado há alguns anos e que transcende as quatro energias físicas: Eletromagnetismo, gravidade, força nuclear forte e força nuclear fraca”. A metenergia também reconhece outras redes metafísicas de ligação entre pessoas, como a Consciência Cósmica (ou Prana), dos Vedas, ou a Teoria do Inconsciente Coletivo, de Carl Gustav Jung (1875-1961). Em seu novo postulado, dr. Tosta tenta provar cientificamente que as interligações entre todas as pessoas têm a afinidade afetiva, o amor, como força reguladora. A partir dessa premissa, explica como a oração, a reza, o pensamento positivo, direcionados a alguém que se ama, funcionam efetivamente: “O amor não é restrito ao espaço: é onipresente, atua em todos os lugares no mundo físico e no extrafísico, espiritual. Não é restrito a tempo: é eterno. Atua no passado, no presente e no futuro. Não é bloqueável por barreiras físicas, emocionais ou mentais. O amor, como energia espiritual, vence qualquer outra energia negativa. O amor é a força curativa mais poderosa que temos”.

 

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* Versão de 1983, adotada pela Associação Médica Mundial. Seu teor é lido como juramento na cerimônia de formatura de alunos de Medicina em diversas partes do mundo.

(Matéria publicada na revista JESUS ESTÁ CHEGANDO!, edição 123, de setembro de 2015, p. 46 a 52.)