A Revista Ecumênica da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo
Ecumenismo, Espiritualidade e Evangelho-Apocalipse

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Amor Fraterno: o agente fundamental

Dr. Artur Alpelbaum — atualizado em 13/03/2018

 

Dr. Artur Apelbaum

Dr. Artur Apelbaum

Desde a mocidade, Paiva Netto escreve textos e assina colunas de jornais de grande circulação. Os temas espirituais e ecumênicos abordados por ele encontram ressonância no coração daqueles que desejam um mundo melhor. Um desses leitores cuja Alma foi tocada pela mensagem fraterna do escritor é o dr. Artur Apelbaum, do Rio de Janeiro, RJ. Em especial, ao ler o artigo “A queda de todas as bastilhas”, sensibilizado, ele decidiu escrever uma carta para o autor. Na página, o Irmão Paiva discorre sobre uma prisão que ainda precisa ser demolida, “a pior de todas as bastilhas: a ignorância acerca da realidade gritante da Vida após o fenômeno da morte” e, ao mesmo tempo, sugere a união de esforços para que “façamos florescer uma civilização nova a partir da postura mental e espiritual elevada de cada criatura”. A seguir, a bela carta do dr. Artur Apelbaum:

 ***

Senhor Presidente José de Paiva Netto,

O assunto é de total relevância na sociedade atual, sendo fundamental no soerguimento do homem pela libertação do sofrimento das suas sociedades.

Sabemos que nada do que pensamos, falamos e fazemos é inteiramente por acaso. A nossa evolução moral determina a nossa capacitação no pensar, no falar e no agir, principalmente no uso da nossa liberdade de escolha.

É o livre-arbítrio a nós outorgado por Deus, para que entendamos que somos deuses, que somos oriundos de um mesmo Pai, de infinito Amor e Justiça.

Desta forma, somos inteiramente livres para determinar os rumos de vida que entendemos ser os adequados para o nível de consciência evolutiva em que estamos. Neste ponto, a compreensão da unicidade essencial do homem em meio à multiplicidade de etnias, religiões, crenças, opiniões políticas, situações socioeconômicas deve ser o fator fundamental das sociedades moralmente mais evoluídas e que almejem o seu progresso conjuntural, por meio do crescimento moral dos seus componentes. Que se entenda que, quando se fala em evolução e crescimento, estes são sempre atributos espirituais.

Mas qual seria o agente impulsionador das sociedades justas, igualitárias, plenas de justiça social?

O agente fundamental e, ao mesmo tempo, basilar e objetivo, início e fim, Alpha e Ômega, é o puro Amor Fraterno, que deve imbuir o homem social na solidariedade humana. É o Amor Fraterno que une o que está disperso e faz o homem consciente da unicidade das humanidades encarnadas e desencarnadas. O Amor é o fator transformador de sociedades para níveis maiores de ética e moralidade.

Como foi dito no seu brilhante artigo “A queda de todas as bastilhas”: “Amar é uma lei, e se soubermos vivê-la, nos elevaremos, renovando tudo à nossa volta”. É isso, a transformação deve partir unicamente de nós mesmos. O Divino Mestre Jesus nos apontou o caminho messiânico da renovação quando disse: “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará da dor e do sofrimento”. Jesus falava em aramaico, a língua falada pelo povo iletrado — ao contrário do hebraico, que era língua sacerdotal —, pois sua intenção era a de que o povo ignorante e sofrido entendesse a mensagem divina da Verdade libertadora, que é a Verdade do Espírito. Ora, em aramaico, a palavra “conhecer’ tem significado de “praticar” e, com isso, Jesus, na realidade, quis dizer: “Praticarás a Verdade e ela vos libertará da dor e do sofrimento”. Se o homem entendesse e praticasse apenas este ensinamento, a Humanidade seria mais fraterna e una por excelência. Realmente, “educar é transformar”, e cabe aos formadores de opinião assim o fazerem para a ascensão do homem.

O tema aludido é, para mim, de extrema importância, pois é inerente à minha condição. Pertenço à Maçonaria, na qual é objetivado o melhoramento das sociedades do homem por meio da autossuperação dos defeitos humanos.

Neste sentido, na Revolução Francesa e em outros movimentos mundiais de libertação do homem, tais como a independência dos Estados Unidos e do Brasil, a abolição da escravidão nos Estados Unidos e no Brasil, entre outros, foram utilizados os preceitos conceituais de conscientização do homem da necessidade da libertação do jugo da opressão do próprio homem. A Revolução Francesa foi o movimento que iniciou as principais lutas de libertação do homem. Seus ecos tiveram alcance mundial e deram origem a outros movimentos libertários. Entretanto, a Revolução Francesa acabou por engolir-se a si mesma, quando, por força das imperfeições dos seus líderes, sacrificou na guilhotina seus maiores pensadores e idealizadores. No entanto, a forte simbologia da liberdade do homem permaneceu e a queda da Bastilha* é o símbolo mais forte. No meu entendimento, a queda da Bastilha se assemelha, simbolicamente, à saída dos hebreus do Egito. Estes são elementos fortemente simbólicos da derrocada da escravidão humana, seja ela fator externo de opressão ou, ainda, de cunho individual de nossos vícios, preconceitos e erros sobre nós mesmos.

Minha Loja Maçônica foi fundada em 14 de julho de 1988, em uma alusão à queda da Bastilha. A Maçonaria é instituição iniciática, filantrópica e progressista, e é fundamentada na existência de Deus. São reunidos na Ordem homens de todas as etnias, religiões e níveis sociais, desenvolvendo-se o reconhecimento da fraternidade do homem, independentemente das diferenças existentes determinadas por suas condições individuais. É especialmente desenvolvida a educação dos seus membros através da cultura e, principalmente, da tolerância nas diferenças e da temperança, para que se possa ser processada a nossa transformação moral.

Agradeço mais uma vez ao Irmão Paiva Netto o importante artigo.

 

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* A chamada queda da Bastilha ocorreu em 14 de julho de 1789, em Paris, França. A Bastilha é a antiga prisão parisiense que se tornara o símbolo da tirania e da opressão da monarquia quando foi tomada pelo povo. Esse episódio histórico marca o advento da Revolução Francesa e é comemorado até hoje no “14 de julho”.

(Artigo publicado na revista JESUS ESTÁ CHEGANDO!, edição 116, de outubro de 2013, p. 38 e 39.)